A. Muhlenberg - Centenário Controvertido
Bem sei que não é hora de festa. Mas sei também que sem planejamento nada pode dar certo no Flamengo. Por isso mesmo nos últimos dias tenho deliberadamente me mantido afastado das miudezas contratuais e dos bate-bocas antiestatutários que tem movimentado o noticiário sobre o Flamengo e me concentrado numa questão que embora festiva me parece muito mais relevante. O centenário do futebol rubro-negro.
A comemoração de tão importante efeméride, que seria algo simples em qualquer clube, no Flamengo é motivo para grande cisma filosófica. Andei provocando o assunto aqui e ali e percebi que existem três correntes de pensamento distintas em relação ao tema.
Uma dessas correntes insiste em que não há mais nada para se comemorar, porque o centenário do nosso futebol deveria ter sido comemorado em 24 de dezembro de 2011, quando se completaram 100 anos da fundação formal do departamento de futebol do, até então exclusivamente dedicado às regatas, Flamengo. Dizem eles que os aniversários se comemoram no dia em que os bebês nascem e não no dia em que dão seus primeiros passos. Bem, é um ponto de vista respaldado em farta documentação e que merece respeito.
Mas que choca-se frontalmente com aqueles que defendem a ideia de que o futebol do Flamengo nasceu efetivamente apenas na data do seu primeiro jogo oficial. Logo, a comemoração só poderia se dar no dia 3 de maio de 2012, exatamente 100 anos após a goleada de 16 x 2 que o Mais Querido aplicou no saudoso Mangueira no campo do América na rua Campos Salles. Alegam os partidários desse critério que os aniversários se comemoram na data em que os bebês vem ao mundo e não no dia em que o espermatozoide penetra o óvulo.
A terceira corrente de pensamento é mais xiita. Defende que não se comemore nada, porque o time do Flamengo não está fazendo por merecer festinhas de qualquer espécie. E, traindo um traço levemente botafoguense, relembram o catastrófico centenário de 1995, onde o Flamengo foi capaz da raríssima proeza de não conseguir ganhar nem o carioqueta. Como dizer que esses fundamentalistas não tem um pouco de razão?
Em função dessa diversidade filosófica fiquei também na dúvida sobre que postura adotar diante da questão. Não acredito que a natural vocação pra festividade do Flamengo se iniba diante de detalhes cartoriais de pequena monta. Mas mesmo sem qualquer foguinhismo confesso que preferia que não organizassem enredos para desfiles na Sapucaí e nem que contratassem supostos melhores ataques do mundo para marcar os 100 anos do nosso futebol.
E você, tem uma posição pra me dar sobre o assunto? Ou vai ficar em cima do muro ?
Mengão Sempre


